segunda-feira, 30 de junho de 2008

O Globo

Estudo diz que Petrobras ficará entre as gigantes do setor em alguns anos
Estatal está hoje em 10º lugar entre empresas com maior presença no exterior
Juliana Rangel*

RIO e LONDRES. Com um plano de investimentos de R$15 bilhões no exterior até 2012 e atuação em mais de 20 países, a Petrobras poderá figurar, nos próximos anos, entre as gigantes mundiais do petróleo - chamadas International Oil Companies (IOC). Segundo estudo da consultoria Ernst & Young, apresentado no 19º Congresso Mundial de Petróleo, em Madri, ontem, cada vez mais as empresas regionais estão indo em direção às líderes do setor.

Atualmente, a Petrobras está em 10º lugar entre as empresas com maior presença no exterior. As sete primeiras são grandes empresas há anos na liderança: Shell, ExxonMobil, Total, BP, Chevron, Eni e StatoilHydro. Logo em seguida vêm a Petronas, da Malásia, e a chinesa Petrochina/ CNPC.

De acordo com o sócio da Ernst & Young Claudio Camargo, em quase 95% das companhias nacionais (chamadas National Oil Companies, ou NOCs), como a Petrobras, o governo é o acionista controlador. Além disso, muitas atuam de forma integrada: em diferentes segmentos, como exploração, produção, refino e distribuição.

- Isso facilita a expansão, porque a empresa tem uma estrutura corporativa que permite um custo mais baixo para o consumidor - afirma.

FT: Exxon se mantém como maior empresa do mundo
Apesar do controle estatal, muitas das NOCs admitem parcerias com capital privado.

- A Petrobras sempre foi uma estatal e o ritmo de tomar a decisão de investir fora do país dependia era lento. No momento em que grande parte das ações foi para as mãos do público, após a listagem em bolsas de valores, a empresa se tornou mais ágil - diz.

Ele também lembra que a companhia procura desvincular sua atuação do governo:

- Ela criou um estilo de governança corporativa como a de grandes empresas americanas, para mostrar que estava se preparando para ser uma grande companhia internacional.

Segundo ranking feito pelo jornal britânico "Financial Times" (FT), a Exxon Mobil manteve a primeira posição entre as empresas mais importantes do mundo. Com valor de mercado de US$452,5 bilhões, a empresa fica à frente de Petrochina (US$423,9 bilhões), General Electric (US$369,5 bilhões), Gazprom (US$299,7 bilhões), China Mobile (US$298 bilhões) e Banco Industrial e Comercial da China (US$277,2 bilhões). Avaliada em US$208,3 bilhões, a Petrobras pulou da 50ª posição para a 12ª no ranking do FT e tem a melhor colocação entre as empresas latino-americanas.
O Globo

TEMA EM DISCUSSÃO: CONSELHO DE DEFESA
É preciso liderar
Carlos Zarattini

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, apresentou uma nova proposta de organização da defesa nacional que revela um novo olhar do governo Lula sobre uma questão relegada ao segundo plano tanto pela esquerda, escaldada pelos anos de chumbo da ditadura militar, quanto pela direita, que preferia esse debate restrito aos militares.

Ela parte do pressuposto de que um país das dimensões e da importância do Brasil não pode prescindir de uma estratégia de defesa e de Forças Armadas com poder dissuasório, estrategicamente alocadas e aparelhadas. Nessa estratégia, devemos estreitar laços com os vizinhos da América do Sul, e surge a necessidade de o Brasil assumir a vanguarda da constituição do Conselho Sul-Americano de Defesa. Não uma "Otan do Sul", mas um elemento capaz de fortalecer uma identidade sul-americana, com a elaboração conjunta de políticas de defesa, intercâmbio entre as Forças Armadas, realização de exercícios militares conjuntos e troca de análises sobre os cenários mundiais. É também dessa forma que podemos apostar na formação de uma base industrial de defesa. Ou seja, em dar escala industrial ao esforço de avanço tecnológico que podemos e devemos ter na indústria a partir do aparelhamento das Forças Armadas.

Essa é a perspectiva de projetos como o do submarino de propulsão nuclear da Marinha, de mísseis, da nova geração de caças e helicópteros para a Aeronáutica e da criação de uma indústria nacional de blindados de avançada tecnologia.

São projetos que podem garantir ao Brasil e à Comunidade Sul-Americana de Defesa uma aparelhagem militar moderna. Além disso, investimentos em pesquisa nessa área acabam por beneficiar toda a indústria brasileira.

CARLOS ZARATTINI é deputado federal (PT-SP), membro da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional
Primeira Página
DEM lança Solange e Cesar vai ao ataque
Governo pode reestatizar minas

Editorial
Proposta inócua

Colunas
Ricardo Noblat
Ancelmo Gois
George Vidor

Opinião
É preciso liderar :: Carlos Zarattini
Imagem do Exército :: Gilberto Velho
Disputas inúteis :: Guilherme Dias
A culpa é deles :: João Guilherme Sabino Ometto

O País
Cesar dá o tom na festa do DEM
Jandira: esquerda não teve bom senso
Cabral puxa o samba para Paes
Marta pega carona na popularidade de Lula
PT não quer repetir erros da derrota de 2004
Em BH, Pimentel elogia Aécio na convenção do PSB
'Arraiá do Torto' em ritmo de ano eleitoral
João da Costa e a 'Frente do Recife'
Luizianne é escolhida, sem Cid
Ladrão ataca presidente do STF no calçadão de Fortaleza

Economia
Pouco adubo, muita plantação
Lula diz que mundo vai se curvar a biocombustíveis feitos no Brasil
Estudo diz que Petrobras ficará entre as gigantes do setor em alguns anos
Bancos centrais se reúnem para debater inflação
Mercosul pode ter fundo de ajuda a pequena empresa

Rio
Em outros estados, polícias também fazem operações

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Primeira Página
Bolsa Família sobe acima da inflação em ano eleitoral
Dólar fecha a R$ 1,59, menor valor em 9 anos
Crivella terá de explicar propaganda em revista
Despedida
Tráfico volta 1 dia após saída do Exército

Editorial
Cerco ao ficha-suja
Dentro do previsto

Colunas
Panorama Político :: Ilimar Franco
Panorama Econômico :: Miriam Leitão
Merval Pereira
Carlos Alberto Sardenberg
Negócios & Cia :: Flávia Oliveira
Gente Boa :: Cleo Guimarães
Ancelmo Gois

Opinião
Risco de maldade :: Jose Pastore
O povo desorganizado :: Demétrio Magnoli

O País
Perto da eleição, além da inflação
Cortes no Orçamento ficarão em R$3 bi
Minc anuncia acordo com o setor madeireiro
FH emociona políticos e amigos no adeus a Ruth
Médico diz que não era preciso internação
Fiéis tentam invadir Senado contra lei que pune homofobia
TCU ameaça candidatura de três mil gestores
TRE-RJ terá de trocar juízes eleitorais
Ministro assume indicação de petista sob investigação
Ibope: Marta lidera em São Paulo, com 34%
Crivella enfrentará outra investigação no TRE
Obras do PAC viram atração
PTB de Jefferson agora dá apoio a Eduardo Paes

Economia
Queda-de-braço acirrada
IPCA-15 é o maior desde julho de 2004 e faz inflação encostar no teto
'Mais demanda na economia'
BC sobe para 6% previsão de inflação e vê chance de 25% de meta
Óleo diesel ficará 2% mais caro a partir de julho
Caminhoneiro em greve por reajuste
Dólar fica abaixo de R$ 1,60 pela 1ª vez em 9 anos
Petróleo cai com alta de estoque nos EUA
Cacciola: Mônaco rejeita novo recurso
Com liminar, TV paga pode cobrar ponto extra
Cade aprova venda da nova Varig à Gol
Projetos de inovação terão R$1,3 bi do governo

Rio
Sai o Exército, entra o tráfico
Providência: prefeitura cria fundo solidário
Restabelecer a seriedade
Nova elevatória será inaugurada hoje
Transportes, desafio para o estado se desenvolver

quarta-feira, 25 de junho de 2008

O Globo

Porto privado: regras saem em agosto
Previsão é da secretaria que trata do tema. Antaq e empresários temem atraso
Henrique Gomes Batista
BRASÍLIA. O ministro da Secretaria Especial de Portos, Pedro Britto, espera que a regulamentação da construção de portos privados de contêineres no Brasil - que deve ser liberada por decreto até a primeira quinzena de julho - esteja pronta em agosto, pavimentando o caminho para que o país atraia entre US$15 bilhões e US$20 bilhões de investimentos para o setor em dez anos. O governo esteve dividido sobre a liberação, o que adiou a definição do modelo proposto para o setor, que ainda precisa ser aprovado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Empresários e o presidente da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Fernando Fialho, acreditam que este processo não estará pronto em agosto. Ao contrário, pode demorar bastante, por não haver precedentes, e afugentar os investimentos que o Executivo quer atrair. Modelo de licitação ainda não foi definido A proposta de decreto presidencial elaborada pela secretaria já está em análise na Casa Civil e prevê a permissão para a criação de portos privados. Estes terminais terão de ser licitados e serão assumidos pela União após 50 anos. A proposta também libera os investimentos para empresas de todos os setores e nacionalidades, ou seja, não haverá restrição ao capital estrangeiro. - A nossa proposta é técnica e está em análise no jurídico da Casa Civil. Depois disso ainda precisa de aprovação do presidente da República, mas acredito que ela será da forma como está, sem alterações, pois estamos trabalhando em linha com que o governo pediu - afirmou Britto, adiantando que os critérios para a aprovação das propostas dos empresários e o formato de licitação ainda não estão definidos. Para o vice-presidente-executivo da Associação Brasileira de Infra-Estrutura e Indústria de Base (Abdib), Ralph Lima Terra, é necessária uma rápida regulamentação das novas normas para atrair recursos. - Nós tememos que a demora na regulamentação afaste investimentos. Este decreto precisa responder todas as questões sobre formas da iniciativa atuar no setor: o como, quando, onde e de que forma. Já o vice-presidente de transporte aquaviário, ferroviário e aéreo da Confederação Nacional de Transportes, Meton Soares Júnior, afirma que o importante é haver discussão: - Ainda estamos discutindo sobre algo a que não tivemos acesso. Mas é claro que este decreto pode gerar anos de discussões, parar na Justiça. Vamos torcer para que a resolução seja rápida.
O Globo

Investimentos insuficientes
Estudo revela que recursos não evitarão gargalos ao crescimento
Aguinaldo Novo
SÃO PAULO. O volume investido pelo governo e empresas privadas em infra-estrutura ainda é insuficiente para evitar gargalos ao crescimento prolongado da economia. Este é o resultado de estudo divulgado ontem pela Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), que mapeou os desembolsos feitos nos últimos seis anos nos setores de energia (que inclui petróleo e gás), transportes, saneamento e telecomunicações. Segundo a entidade, o Brasil precisaria de um mínimo de R$108,4 bilhões por ano, investidos "ao longo de uma década e sem interrupção". O valor está acima dos R$84,1 bilhões gastos em 2007 (que representaram aumento de 16,4% sobre 2006). A estimativa da Abdib para 2008 é de R$86,6 bilhões em investimentos, equivalentes a 79,8% do mínimo necessário "para evitar que as deficiências (em infra-estrutura) se transformem em impeditivos ou gargalos ao crescimento econômico" do país. Os setores de telecomunicações e de petróleo e gás natural foram os que mais receberam recursos em 2007 em relação à necessidade anual de investimentos, de 95,5% e 91,8%, respectivamente. Em contrapartida, na área de saneamento básico o valor não passou de 42,8%.
O Globo

Presidente do Paraguai não consegue renunciar
Nicanor Duarte perde o cargo de senador se permanecer no poder
ASSUNÇÃO. Sem o apoio de seu partido, o Colorado, e sofrendo duras críticas da oposição, o presidente do Paraguai, Nicanor Duarte, não conseguiu que seu pedido de renúncia fosse votado ontem pelo Congresso do país, e permanece no cargo. Sem deixar a Presidência, ele pode ser impedido de assumir como senador, função para a qual foi eleito nas últimas eleições. Duarte precisa deixar o Executivo antes de 1º de julho, dia da posse dos parlamentares eleitos, mas o novo presidente, Fernando Lugo só assume o Executivo no dia 15 de agosto. Como a Constituição paraguaia proíbe o acúmulo de dois cargos políticos, o presidente pode ser obrigado a passar sua cadeira no Senado para um suplente. - Ele deve ficar no cargo até que o Congresso aprove sua renúncia. Não tem como deixar a Presidência sem autorização - afirmou o senador Martín Chiola, que integra a mesma legenda do presidente. Oposição diz que posse no Senado é ilegal Duarte está tentando reunir apoio para uma nova votação amanhã, mas há o risco de que o boicote dos partidos da oposição não permita que isso aconteça. A oposição considera a eleição do presidente para o Senado ilegal e diz que tentará evitar sua posse. - Queremos que a Carta Magna seja respeitada. Nicanor deverá cumprir seu mandato de presidente porque foi para isso que ele foi eleito pelo povo - disse o deputado de oposição Miguel Carrizosa, do PPQ. A candidatura de Duarte foi garantida pela Justiça. O presidente conseguiu que a Suprema Corte do Paraguai o habilitasse a pleitear o cargo, que lhe dá direito a voto no Senado. A Constituição paraguaia já reserva para os ex-presidentes uma cadeira vitalícia na Casa, mas eles têm apenas o direito de se manifestarem, sem voto. - A situação de Duarte não tem precedentes no Paraguai desde que a atual Constituição entrou em vigor, em 1992. Trata-se de uma questão polêmica e que abre uma crise - afirma o analista político Alfredo Boccia. - Se Duarte for aceito no Congresso, ele será ao mesmo tempo senador vitalício, que é um cargo ao qual não se pode renunciar, segundo a Constituição, e senador com mandato eleitoral, complicando ainda mais as coisas. Um dos motivos para tentar ser senador eleito, segundo os analistas, seria a manutenção de sua imunidade política (senadores vitalícios não têm), evitando que processos por causa de escândalos dentro do governo resultem em prisão. Apesar de não haver processo contra o presidente, partidos da oposição o acusam de enriquecimento ilícito e exigem uma ampla investigação da Justiça.

terça-feira, 24 de junho de 2008

O Globo

Filipinas: navio vira e deixa 800 desaparecidos
Naufrágio ocorreu em meio à passagem pela região do tufão Fengshen, que já fez outros 155 mortos no país
MANILA. Mais de 800 pessoas estão desaparecidas desde sábado à tarde depois que um navio de passageiros filipino naufragou com a passagem do tufão Fengshen. O fenômeno, que atingiu as Filipinas no fim de semana, também causou enchentes, deixando 155 mortos em terra, além de 72 desaparecidos e um rastro de destruição no arquipélago. O navio "MV Princess of Stars", com 845 pessoas a bordo, entre elas cerca de 40 crianças, pediu socorro no sábado. Mas equipes de resgate só conseguiram chegar ao local do acidente cerca de 24 horas depois, devido aos fortes ventos, chuvas torrenciais e mar agitado, causados pelo tufão. Somente seis corpos foram encontrados, além de chinelos de crianças e coletes salva-vidas. Manila fica parcialmente submersa O navio havia partido na sexta-feira de Manila rumo a Cebu, mas começou a enfrentar problemas perto da ilha de Sibuyan. Ao todo, eram 724 passageiros e 121 tripulantes. A presidente das Filipinas, Gloria Arroyo, cobrou explicações das autoridades. - Como permitiram que ele partisse? Por que não houve um amplo alerta (de tufão)? - perguntou à Defesa Civil e à Guarda Costeira. Até ontem, apenas 28 sobreviventes haviam sido encontrados. Alguns deles conseguiram nadar até uma praia de Sibuyan, a três quilômetros do local do naufrágio, e foram encontrados por moradores. Segundo os sobreviventes, muitos não conseguiram abandonar o navio. - Muitos de nós saltaram do barco, mas fomos separados pelas fortes ondas - contou o sobrevivente Jesus Gica. - Outras conseguiram embarcar nos botes salva-vidas, mas foi inútil, pois os ventos viraram as embarcações. Jessie Buot, outro sobrevivente, afirmou que a tripulação fez um alerta com megafone cerca de trinta minutos antes de o barco adernar. - Logo em seguida, eu pulei e o barco virou. As pessoas mais velhas ficaram no barco. O mau tempo forçou a suspensão da operação de resgate, mas duas embarcações deveriam reforçar os trabalhos a serem retomados hoje. Se as mortes dos desaparecidos forem confirmadas, este será o maior acidente marítimo do país desde 1987, quando 4.400 morreram com a colisão de um navio filipino com um petroleiro. O Papa Bento XVI emitiu uma nota dizendo que estava rezando pelas vítimas. Com ventos constantes de 120 km/h e picos de 195 km/h, o tufão Fengshen mudou de trajetória na madrugada de sábado para domingo e se aproximou da capital Manila, onde já havia arrancado árvores e deixado várias partes da cidade alagadas e sem energia. O tufão também obrigou 200 mil pessoas da região de Bicol, sudoeste da ilha de Luzon, a deixarem suas casas, embora muitas tenham retornado poucas horas depois de a tempestade mudar de trajetória. Apenas na província de Iloilo, o Fengshen - o tufão mais forte da temporada e cujo nome local é Frank - deixou 101 mortos e comunidades inteiras submersas. Dezenas de milhares de pessoas permanecem isoladas nos telhados de suas casas. - Iloilo parece um oceano. Este é o pior desastre de nossa história - declarou o governador Neil Tupaz à rádio local. Na vizinha Capiz, mais de duas mil casas foram destruídas na capital da província, e as autoridades lutam para estabelecer contato com comunidades mais distantes. Em 2006, quatro tempestades de forte intensidade deixaram mais de 1.300 mortos, quase três milhões de atingidos e meio milhão de casas destruídas.
O Globo

Medo altera a rotina no Leme
Flavia Lima
A iminência de um ataque neste fim de semana alterou a rotina dos moradores do Leme. Eles evitam sair à noite e agora tomam certas precauções, como ligar para bares e restaurantes para saber se há tiroteio nos morros Chapéu Mangueira e Babilônia. Alguns, cansados dos confrontos, chegaram a tomar uma decisão radical: mudaram-se para outro estado. É o caso de Beatriz Rinaldi, ex-moradora do Leme. Morando em Curitiba, no Paraná, ela lamentou a onda de medo que o bairro vive hoje. - Morei mais de 30 anos no Leme. Saí do Rio por causa da violência. Mas jamais imaginei que o bairro chegasse a esse ponto. O Chapéu Mangueira era a favela mais pacata da cidade, enquanto havia tropas no Forte, que zelavam pela segurança no morro - disse. Por causa da violência, moradores do asfalto mudaram seus hábitos. Um professor universitário, que não quis se identificar, contou que deixou de freqüentar o Leme Tênis Clube à noite. - Antes ficava até quase meia-noite no clube. Agora não fico mais. Quando sentimos um clima diferente, ou então quando ouvimos algum boato de tiroteio, nem saímos de casa - revelou o professor, que mora no bairro há 20 anos. Ele admite que nunca presenciou situação parecida como a de hoje. - Antes, tinha tiroteio uma vez por ano. Hoje, todos os dias ouço disparos - completa.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

O GLOBO

- Nova CPMF passa por 2 votos; inflação é a maior em 12 anos

- Em um só dia, dois golpes contra o bolso dos brasileiros; pelo lado da política, em votação apertada, por apenas dois votos além dos 257 necessários, a Câmara dos Deputados aprovou a recriação da CPMF, agora como nome novo, Contribuição Social para a Saúde (CSS). A alíquota de 0,1% vai incidir sobre movimentações financeiras a partir de janeiro do ano que vem, caso o Senado confirme a criação do novo imposto. Às vésperas da votação, o governo abriu os cofres para agradar aos deputados, aumentando a liberação de emendas. A Fiesp protestou contra o novo imposto: "É um atentado contra a sociedade", disse Paulo Skaf. No terreno da economia, o IBGE divulgou que o IPCA, Índice de inflação da meta do governo, pressionado por alimentos e serviços bancários, ficou em 0,79% em maio, o mais alto para o mês desde 1996. Com isso, em 12 meses, o custo de vida já subiu 5,58%. A meta é de 4,5%. Analistas prevêem aumentos maiores de juros para segurar a inflação. (págs. 1, 3 a 5 e 29)

- A ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil Denise Abreu reafirmou na Comissão de Infra-Estrutura do Senado que houve pressão da Casa Civil para aprovar venda da VarigLog ao fundo de investimento americano, representado pelo escritório de advocacia de Roberto Teixeira, compadre do presidente Lula. Segundo Denise, as ingerências do escritório de Teixeira foram "no mínimo imorais, mas podem ter sido ilegais". Apesar de ter levado uma mala com 30 quilos de papel, Denise não apresentou documentos para comprovar suas denúncias. Mas relatou uma reunião de nove horas na Casa Civil para explicar o processo de venda da VarigLog. Em entrevista ao GLOBO, o juiz Luiz Roberto Ayoub negou interferência política na venda da VarigLog e da Varig. (págs. 1, 25 a 27)

- A educação brasileira foi reprovada no Ideb, avaliação realizada pelo MEC. A melhor média nacional foi 4,2, de 1ª a 4ª série. No ensino médio, a nota não passou de 3,5. O país só espera alcançar a média 6 em 2021. (págs. 1, 10 e 11)

- O presidente do TER do Rio, Roberto Wider, reafirmou que barrará, nas eleições deste ano, candidatos que respondam a processos na Justiça, apesar da decisão do TSE liberando registro de quem tem ficha suja. (págs. 1, 9, Merval Pereira e editorial "A luta continua").

- A deputada Aparecida Gama (PMDB) foi escolhida ontem, por sorteio, para ser a relatora do processo de cassação do deputado Álvaro Lins na Alerj. Alegando ser do mesmo partido do acusado, Aparecida já pediu para abandonar a função. (págs. 1 e 24)

- A belga InBev, gigante de cerveja e dona da AmBev no Brasil, fez uma oferta hostil de US$ 46,3 bilhões para rival americana Anheuser-Busch, dona da marca Budweiser. Com isso, ultrapassaria a SAB-Miller como a maior cervejaria em volume produzido. As ações da Anheuser-Busch subiram 7,54% no pregão eletrônico de Nova York. (págs. 1 e 30)

- Milicianos jogaram uma bomba na madrugada de ontem na 35ª DP (Campo Grande). Segundo a polícia, dois policiais civis participaram do ataque e dois suspeitos presos confessaram que fizeram a bomba a mando do deputado Natalino (DEM). (págs. 1, 14 e 15)