O Globo
Filipinas: navio vira e deixa 800 desaparecidos
Naufrágio ocorreu em meio à passagem pela região do tufão Fengshen, que já fez outros 155 mortos no país
MANILA. Mais de 800 pessoas estão desaparecidas desde sábado à tarde depois que um navio de passageiros filipino naufragou com a passagem do tufão Fengshen. O fenômeno, que atingiu as Filipinas no fim de semana, também causou enchentes, deixando 155 mortos em terra, além de 72 desaparecidos e um rastro de destruição no arquipélago. O navio "MV Princess of Stars", com 845 pessoas a bordo, entre elas cerca de 40 crianças, pediu socorro no sábado. Mas equipes de resgate só conseguiram chegar ao local do acidente cerca de 24 horas depois, devido aos fortes ventos, chuvas torrenciais e mar agitado, causados pelo tufão. Somente seis corpos foram encontrados, além de chinelos de crianças e coletes salva-vidas. Manila fica parcialmente submersa O navio havia partido na sexta-feira de Manila rumo a Cebu, mas começou a enfrentar problemas perto da ilha de Sibuyan. Ao todo, eram 724 passageiros e 121 tripulantes. A presidente das Filipinas, Gloria Arroyo, cobrou explicações das autoridades. - Como permitiram que ele partisse? Por que não houve um amplo alerta (de tufão)? - perguntou à Defesa Civil e à Guarda Costeira. Até ontem, apenas 28 sobreviventes haviam sido encontrados. Alguns deles conseguiram nadar até uma praia de Sibuyan, a três quilômetros do local do naufrágio, e foram encontrados por moradores. Segundo os sobreviventes, muitos não conseguiram abandonar o navio. - Muitos de nós saltaram do barco, mas fomos separados pelas fortes ondas - contou o sobrevivente Jesus Gica. - Outras conseguiram embarcar nos botes salva-vidas, mas foi inútil, pois os ventos viraram as embarcações. Jessie Buot, outro sobrevivente, afirmou que a tripulação fez um alerta com megafone cerca de trinta minutos antes de o barco adernar. - Logo em seguida, eu pulei e o barco virou. As pessoas mais velhas ficaram no barco. O mau tempo forçou a suspensão da operação de resgate, mas duas embarcações deveriam reforçar os trabalhos a serem retomados hoje. Se as mortes dos desaparecidos forem confirmadas, este será o maior acidente marítimo do país desde 1987, quando 4.400 morreram com a colisão de um navio filipino com um petroleiro. O Papa Bento XVI emitiu uma nota dizendo que estava rezando pelas vítimas. Com ventos constantes de 120 km/h e picos de 195 km/h, o tufão Fengshen mudou de trajetória na madrugada de sábado para domingo e se aproximou da capital Manila, onde já havia arrancado árvores e deixado várias partes da cidade alagadas e sem energia. O tufão também obrigou 200 mil pessoas da região de Bicol, sudoeste da ilha de Luzon, a deixarem suas casas, embora muitas tenham retornado poucas horas depois de a tempestade mudar de trajetória. Apenas na província de Iloilo, o Fengshen - o tufão mais forte da temporada e cujo nome local é Frank - deixou 101 mortos e comunidades inteiras submersas. Dezenas de milhares de pessoas permanecem isoladas nos telhados de suas casas. - Iloilo parece um oceano. Este é o pior desastre de nossa história - declarou o governador Neil Tupaz à rádio local. Na vizinha Capiz, mais de duas mil casas foram destruídas na capital da província, e as autoridades lutam para estabelecer contato com comunidades mais distantes. Em 2006, quatro tempestades de forte intensidade deixaram mais de 1.300 mortos, quase três milhões de atingidos e meio milhão de casas destruídas.
O Globo
Medo altera a rotina no Leme
Flavia Lima
A iminência de um ataque neste fim de semana alterou a rotina dos moradores do Leme. Eles evitam sair à noite e agora tomam certas precauções, como ligar para bares e restaurantes para saber se há tiroteio nos morros Chapéu Mangueira e Babilônia. Alguns, cansados dos confrontos, chegaram a tomar uma decisão radical: mudaram-se para outro estado. É o caso de Beatriz Rinaldi, ex-moradora do Leme. Morando em Curitiba, no Paraná, ela lamentou a onda de medo que o bairro vive hoje. - Morei mais de 30 anos no Leme. Saí do Rio por causa da violência. Mas jamais imaginei que o bairro chegasse a esse ponto. O Chapéu Mangueira era a favela mais pacata da cidade, enquanto havia tropas no Forte, que zelavam pela segurança no morro - disse. Por causa da violência, moradores do asfalto mudaram seus hábitos. Um professor universitário, que não quis se identificar, contou que deixou de freqüentar o Leme Tênis Clube à noite. - Antes ficava até quase meia-noite no clube. Agora não fico mais. Quando sentimos um clima diferente, ou então quando ouvimos algum boato de tiroteio, nem saímos de casa - revelou o professor, que mora no bairro há 20 anos. Ele admite que nunca presenciou situação parecida como a de hoje. - Antes, tinha tiroteio uma vez por ano. Hoje, todos os dias ouço disparos - completa.
terça-feira, 24 de junho de 2008
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