O Globo
Estudo diz que Petrobras ficará entre as gigantes do setor em alguns anos
Estatal está hoje em 10º lugar entre empresas com maior presença no exterior
Juliana Rangel*
RIO e LONDRES. Com um plano de investimentos de R$15 bilhões no exterior até 2012 e atuação em mais de 20 países, a Petrobras poderá figurar, nos próximos anos, entre as gigantes mundiais do petróleo - chamadas International Oil Companies (IOC). Segundo estudo da consultoria Ernst & Young, apresentado no 19º Congresso Mundial de Petróleo, em Madri, ontem, cada vez mais as empresas regionais estão indo em direção às líderes do setor.
Atualmente, a Petrobras está em 10º lugar entre as empresas com maior presença no exterior. As sete primeiras são grandes empresas há anos na liderança: Shell, ExxonMobil, Total, BP, Chevron, Eni e StatoilHydro. Logo em seguida vêm a Petronas, da Malásia, e a chinesa Petrochina/ CNPC.
De acordo com o sócio da Ernst & Young Claudio Camargo, em quase 95% das companhias nacionais (chamadas National Oil Companies, ou NOCs), como a Petrobras, o governo é o acionista controlador. Além disso, muitas atuam de forma integrada: em diferentes segmentos, como exploração, produção, refino e distribuição.
- Isso facilita a expansão, porque a empresa tem uma estrutura corporativa que permite um custo mais baixo para o consumidor - afirma.
FT: Exxon se mantém como maior empresa do mundo
Apesar do controle estatal, muitas das NOCs admitem parcerias com capital privado.
- A Petrobras sempre foi uma estatal e o ritmo de tomar a decisão de investir fora do país dependia era lento. No momento em que grande parte das ações foi para as mãos do público, após a listagem em bolsas de valores, a empresa se tornou mais ágil - diz.
Ele também lembra que a companhia procura desvincular sua atuação do governo:
- Ela criou um estilo de governança corporativa como a de grandes empresas americanas, para mostrar que estava se preparando para ser uma grande companhia internacional.
Segundo ranking feito pelo jornal britânico "Financial Times" (FT), a Exxon Mobil manteve a primeira posição entre as empresas mais importantes do mundo. Com valor de mercado de US$452,5 bilhões, a empresa fica à frente de Petrochina (US$423,9 bilhões), General Electric (US$369,5 bilhões), Gazprom (US$299,7 bilhões), China Mobile (US$298 bilhões) e Banco Industrial e Comercial da China (US$277,2 bilhões). Avaliada em US$208,3 bilhões, a Petrobras pulou da 50ª posição para a 12ª no ranking do FT e tem a melhor colocação entre as empresas latino-americanas.
O Globo
TEMA EM DISCUSSÃO: CONSELHO DE DEFESA
É preciso liderar
Carlos Zarattini
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, apresentou uma nova proposta de organização da defesa nacional que revela um novo olhar do governo Lula sobre uma questão relegada ao segundo plano tanto pela esquerda, escaldada pelos anos de chumbo da ditadura militar, quanto pela direita, que preferia esse debate restrito aos militares.
Ela parte do pressuposto de que um país das dimensões e da importância do Brasil não pode prescindir de uma estratégia de defesa e de Forças Armadas com poder dissuasório, estrategicamente alocadas e aparelhadas. Nessa estratégia, devemos estreitar laços com os vizinhos da América do Sul, e surge a necessidade de o Brasil assumir a vanguarda da constituição do Conselho Sul-Americano de Defesa. Não uma "Otan do Sul", mas um elemento capaz de fortalecer uma identidade sul-americana, com a elaboração conjunta de políticas de defesa, intercâmbio entre as Forças Armadas, realização de exercícios militares conjuntos e troca de análises sobre os cenários mundiais. É também dessa forma que podemos apostar na formação de uma base industrial de defesa. Ou seja, em dar escala industrial ao esforço de avanço tecnológico que podemos e devemos ter na indústria a partir do aparelhamento das Forças Armadas.
Essa é a perspectiva de projetos como o do submarino de propulsão nuclear da Marinha, de mísseis, da nova geração de caças e helicópteros para a Aeronáutica e da criação de uma indústria nacional de blindados de avançada tecnologia.
São projetos que podem garantir ao Brasil e à Comunidade Sul-Americana de Defesa uma aparelhagem militar moderna. Além disso, investimentos em pesquisa nessa área acabam por beneficiar toda a indústria brasileira.
CARLOS ZARATTINI é deputado federal (PT-SP), membro da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional
segunda-feira, 30 de junho de 2008
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